eu estava aqui estudando e, então, um fragmento de Adorno falando sobre a violência em bater uma porta sem olhar para a casa que nos acolheu. Fiquei terrivelmente emocionada. Comecei a escrever um post sobre isso. Apaguei. De repente, muitas portas se interpuseram entre o monitor e eu: o barulho execrado das portas fechadas com brutalidade, as portas que me deram imenso trabalho e dor para serem fechadas, aquelas que eu achei que não conseguiria fechar e aquelas que achei que jamais abriria. As que se abriram a custa de muito trabalho mas que, maravilhosamente, pareciam ser abertas pelo acaso. As portas que se abrem apenas com a condição de que tantas outras tenham sido fechadas. As portas das casas que perdi. A porta que abro com o coração feliz e/ou aos saltos. A porta diante da qual estou e nem mesmo sei se está reservada para mim, lembrando Kafka
diante da lei.
o desastre de escancarar as portas: um contraponto
ReplyDeleteAcabei de fechar o livro de Antjie Krog no final da narrativa de Lekotse. Um agricultor africano. Seus filhos foram mortos.
- Fale de seus filhos.
Essa era a parte que interessava à comissão, mas ele insiste em começar do começo, do momento em que os policiais derrubam a porta de sua casa, passam sobre ela e em seguida abrem todas as portas de cômodos e armários. Que conserto repararia o que aquele gesto pôs abaixo?
- Fale de seus filhos!
- Quem deu a eles a permissão de entrar... todas as portas foram derrubadas. Eu lhes disse "como ousam arrombar as portas" e disse a meus filhos "preparem o chá, preparem o chá para essa gente, eles têm fome"