Saturday, September 25, 2010

Friday, September 24, 2010

sobrinhas

hoje a Laurinha ficou sabendo que o irmão, é, na verdade, uma irmãzinha, seu nome: Teresa.

Thursday, September 23, 2010

Primavera

Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira.
Cecília Meireles

no fim da manhã um dos meus passeios prediletos: Livraria Leonardo da Vinci, Centro do Rio. Não é em shopping, mas no subsolo de uma galeria perto da Biblioteca Nacional. Eu me deixo ficar um pouco, mas nada demais. Tempo suficiente para falar outra língua. Deixo um livro na estante para voltar depois. Os livros na bolsa. A multidão. Não penso em nada. Em casa, que por ser outra-casa não deixa de ser minha -como a livraria, me deito com eles, os livros. Os gatos. Baudelaire. Um sono bom. Uma ligação boa de receber. Um dia bom de viver.

Distraidamente.

Tuesday, September 21, 2010

Meio passo

e na noite seguinte sonhei com sepulturas. E alguma coisa talvez tenha andado.

E tudo mais é um cansaço enorme no corpo e uma cabeça em hiperfuncionamento.

Sunday, September 19, 2010

tijolo por tijolo

em um texto que leio mais ou menos pela quinta vez, encontro: "[...] como em dores, ainda privadas de sepulturas [...]" G. Genette.

Porque talvez diga dessa impressão de que nenhuma sepultura foi ainda construída.

Tuesday, September 14, 2010

sem lugar

uma vez enviados os dados dos voos, me dei conta de que não tinha colocado nem lugar de partida, nem lugar de chegada.

Saturday, September 11, 2010

fim do mundo

ontem à noite minha mãe lembrou:
- Mãe, Valença é o fim do mundo?
- por que minha filha?
- porque a gente vai pra praia e volta pra Valença, vai pro Rio e volta pra Valença...
- Mas é que a gente mora aqui.

Acho que ela não conseguiu me convencer de que não era. E eu? Eu fugi.

Monday, September 6, 2010

Primo Levi

uma amiga fala em férias subjetivas. Às vezes, quando me pego pensando que eu bem que merecia uma trégua (nas emoções, nos compromissos, nas contas), me lembro do título do livro de Primo Levi, me lembro da leitura penosa (é verdade, menos penosa que a de É isto um homem?) e volto atrás.

Sunday, September 5, 2010

Ruth Klüger

depois de cinco anos de convivência, parece-me que estou encerrando o meu primeiro texto sobre Paisagens da memória, de Ruth Klüger. Parece-me o texto mais bonito que escrevi. Texto escrito entre amigos e alunos da Unicamp e da UFRJ. Texto que deu forma ao novo memorial. Texto que se abre e se fecha e se abre novamente com um amor improvável. Texto que nada mais é que tropo. Desvio para acertar o alvo. Sem jamais acertar. Errância. Mas também ancoragem, quando só há as ondas e o vento que enregela os ossos.