Saturday, February 19, 2011

pedaços (e mosaicos)

Olha só o que é tudo: é um pedaço de coisa, é um pedaço de ferro, de saibro, de vidro. Eu me disse: olha pelo que lutei, para ter exatamente o que eu já tinha antes, rastejei até as portas se abrirem para mim, as portas do tesouro que eu procurava: e olha o que era meu tesouro! O tesouro era um pedaço de metal, era um pedaço de cal da parede, era um pedaço de matéria feita em barata. [...] Minha exaustão se prostrava aos pés do pedaço de coisa, adorando infernalmente. O segredo da força era a força, o segredo do amor era o amor – e a jóia do mundo é um pedaço opaco de coisa. (Lispector 1986, p.136-137)

Wednesday, February 16, 2011

into the blue

Como é estranha a natureza
Morta dos que não tem dor
Como é estéril a certeza
De quem vive sem amor, sem amor
Mas tudo azul, tudo azul, tudo azul
Completamente blue
Tudo azul

Cazuza

Wednesday, February 2, 2011

2 de fevereiro: perto do mar

e lá eles estavam diante de um passado que ele queria mostrar a ela. E lá estava ela ao lado dele. Sabendo que aquele momento passaria. Ver: cena da biblioteca no final da segunda seção de To the lighthouse.

Uma amiga recente lê este blog ao mesmo tempo que lê sistematicamente Sou a espuma, penso se ela nota que lá há muitas palavras para a solidão, para o medo e para a dor, paradoxalmente. A alegria acontece assim, aqui, em silêncio.

Com uma outra amiga, alhures, em metáfora e cumplicidade, jogo flores para Iemanjá.