Saturday, May 29, 2010

em São Luís

foi só dizer que eu queria conhecer a igreja de Sto Antonio que no fim do dia um aluno aparece de surpresa(com a Vida e Obra de Vieira por J.F. Lisboa, um maranhense)para o passeio. E lá estava eu, presenteada, no lugar em que Vieira proferiu o sermão de Santo Antonio aos Peixes.

O centro histórico é um lugar com muitos gatinhos e algumas mulheres loucas.

E como um lugar remete a outro, às vezes, sinto saudades de Salvador. Foi assim ontem diante de uma cesta de camarões secos.

Daqui a pouco, vou sair para comer carne de sol.

Sunday, May 23, 2010

Ao norte

daqui a pouco: Viracopos - Galeão - São Luís.


As malas são um velho hábito. Algumas atenções e cuidados, não.

Saturday, May 22, 2010

janelas abertas

e, então, sem sair do tom:
Me deixa morar neste azul
Me deixa encontrar minha paz
Se ao menos pudesse saber

porque hoje é sábado
e porque, às vezes,
a vida fica tão recíproca

Wednesday, May 19, 2010

Heloísa e Abelardo

Porque Heloísa nunca se arrependeu:

"Longe de gemer as faltas que cometi, penso suspirando naquelas que não pude cometer."

Porque o livro de Gilson é uma preciosidade:

"Relata-se que, pouco tempo antes de sua morte, Heloísa tomara as disposições necessárias para ser enterrada com Abelardo. Quando se abriu o túmulo para ali a sepultar junto dele, ele estendeu os braços para acolhê-la, e cingiu-os estreitamente sobre ela. Assim contada, a história é bela, mas, lenda por lenda, acreditaríamos mais facilmente que, ao se unir ao amigo no túmulo, Heloísa tenha aberto os braços para abraçá-lo."

E porque o curso segue, depois vem O inferno de Dante.

Sunday, May 16, 2010

Paris - "que pelo olhar nos arrebata a mente"

É um quadro que vive de sua fama. E a sua reprodução nauseante. Eis o pensamento que, enquanto eu me aproximava, me defendia da Monalisa. Em volta, os japoneses e suas câmeras. Procuro uma brecha para ver. Mas a questão não era essa, não era ver. É que abruptamente fui olhada. E o instante e a obra tornaram-se irreproduzíveis.

Rio-Campinas

Não me lembro mais se era pra ser uma aula sobre memória. Era uma aula sobre Clarice e comecei por Proust. Outono na cidade do Rio de Janeiro, 2010. Um ele, na semana anterior, me perguntara se a morte de L.D. me deixara muito triste. Sim, mas me fez trabalhar. E o restante da semana, eu passara tentando lembrar o perfume, as manhãs de 1994 em Campinas. E então, de repente, um aluno entra e senta: eis o perfume procurado em vão e, agora, por puro acaso, encontrado. No Rio, 2010, toda Campinas, 1994, sai do meu copo de café. Um curto-circuito nos dêiticos que só Virginia saberia escrever aqui. Lá e Alhures.

Voltando, uma resposta a G.A.

transcrevo o "apelo" feito no Blogue do Gabriel no dia 16 de abril:


A gente continua por causa de uma ilusão mesmo.

F. T. manteve, nos últimos dois anos, dois blogs muito charmosos. O primeiro, Sou a Espuma, era o favorito de todo mundo. Eu comentava sobre a Espuma com amigos e, pronto, estavam todos viciados no blog. No Sou a Espuma uma melancolia chic recebia as palavras certas. Sem afetações. As referências às boas escritoras nos obrigavam a reler os clássicos, todos os dias. Quantas pessoas se trancaram em quartos semi-escuros com Clarice Lispector e Virginia Woolf só pra entender as razões do texto de F.T.? Quem ousava pisar na espuma trazida pelas ondas em cada visita ao mar-oceano se incorria no risco de se pisar em epifanias do blog? A catarse de todos nós estava sempre ali: na busca por suas razões indizíveis.
*
O segundo é Passagem efêmera. O título de bilhete de suicida escondia uma conexão: a da literatura com a vida cotidiana. Cinema, fotografia, música e livros intercalados com o cotidiano de uma solidão, depois um exílio na própria na terra (RJ), depois a vida acadêmica (refúgio para os dois mundos). Um dia desses, Passagem saiu do ar. E muito se foi.
*
Quando volta?