Thursday, December 23, 2010

O presente de R.

Certamente, este foi um ano em que fui presenteada de muitas formas.

Houve um presente especial e que pode ser dito aqui.

Campinas, 21 de dezembro, antes da viagem para o Rio. O interfone toca, o porteiro mais antigo anuncia: "Quero te dar uma coisinha de Natal". Muito desajeitada, comento algo sobre a mala cheia. Desço como sempre, cheia de malas, correndo, partindo. R. me entrega uma caixa de biscoitos natalinos em forma de árvore de natal. Ela cabe na minha bolsa de mão! Dou um abraço nele. É inesperado, mas ele recebe. Entro no taxi com a velha sensação que a generosidade e o dom provocam em mim: um lado do coração dói, um outro se alegra, um outro ainda investiga esse mistério. Alguém me deu sem que eu tivesse pedido. Alguém a quem não falta o delicado essencial.

Feliz Natal para os meus leitores essenciais!

Friday, December 17, 2010

no meio do caminho da vida



Nada se edifica sobre a pedra, tudo sobre a areia, mas nosso dever é edificar como se fora pedra a areia ...
Jorge Luis Borges

Wednesday, December 15, 2010

passagens efêmeras

esse vento um pouco melancólico que passa por mim às vésperas de comemorar os meus anos.

Passa. Aliás, passar não foi o verbo do ano?

Tuesday, December 7, 2010

Laura e eu

- elas são lindas e são minhas, é a primeira coisa linda e minha! [...] as rosas estavam na mão da empregada, não eram mais suas, como uma carta que já se pôs no correio! não se pode mais recuperar nem riscar os dizeres! não adianta gritar: não foi isso o que quis dizer!


Esses são fragmentos do conto A imitação da rosa, de C.L., uma antiga obsessão. Como a protagonista, Laura, sempre achei que as rosas não poderiam ser minhas. E essa semana... As rosas estão na minha mão, na carta escrevi um parágrafo diferente, aquele que era meu, só meu, e foi isso mesmo que eu quis dizer.

Saturday, December 4, 2010

em tempo de espera

este blog relata que hoje foi a Festa do Livro da Laurinha, um rito que a autoriza a ler e a escrever. Ela estava de branco e com uma rosa nos cabelos, a minha sobrinha. Ela cantou, ela leu, o diploma era um livro escrito por ela. Leu como lê todas as noites sentada no sofá. Pensei em Quixote, pensei em Borges. Pensei nas noites infinitas com livros que eu quis infinitos. Pensei nos leitores que amo. Lá, estava ela, a Laurinha. Chorei. E não foi pouco.

Mas talvez a cena que fique incrustada na memória seja a de outro leitor. R. gaguejou, os ombros tremeram, as palavras não saíram. Por fim, um choro contido. O rubor. Esse foi o momento mais literário para mim, aquele em que as palavras não puderam ser ditas.