Saturday, December 4, 2010

em tempo de espera

este blog relata que hoje foi a Festa do Livro da Laurinha, um rito que a autoriza a ler e a escrever. Ela estava de branco e com uma rosa nos cabelos, a minha sobrinha. Ela cantou, ela leu, o diploma era um livro escrito por ela. Leu como lê todas as noites sentada no sofá. Pensei em Quixote, pensei em Borges. Pensei nas noites infinitas com livros que eu quis infinitos. Pensei nos leitores que amo. Lá, estava ela, a Laurinha. Chorei. E não foi pouco.

Mas talvez a cena que fique incrustada na memória seja a de outro leitor. R. gaguejou, os ombros tremeram, as palavras não saíram. Por fim, um choro contido. O rubor. Esse foi o momento mais literário para mim, aquele em que as palavras não puderam ser ditas.

2 comments:

  1. Que lindas, a Laurinha e a tia orgulhosa!

    Quanto ao outro episódio, acabei me lembrando de JCMN e dos sertanejos em geral, da fala "incapaz de não se expressar em pedra". Com razão, "no idioma pedra se fala doloroso". E eu acrescentaria, se ousasse: com mais razão, a escuta não dói menos.

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  2. ao visitante misterioso, só posso agradecer a linda e comovente lembrança de JCMN. E, mais ainda, o acréscimo cortante e rigoroso. Obrigada!

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