Sunday, August 22, 2010

porteiros

alguns leitores talvez se lembrem que há muitos anos atrás, nos tempos de apartamento amarelo, L. e eu tivemos um porteiro filósofo, acho que heideggeriano, dada a sua obsessão com o ser-para-a-morte. Entre idas e vindas, me dei conta de que a portaria aqui estava bastante modificada. Inicialmente, resisti às mudanças e me limitava a cumprimentar, mas sou uma pessoa que espera taxi. E foi numa dessas esperas que comecei a conversar com o Sr.J. Aí, ele comentou sobre os livros que chegavam nas caixinhas da Livraria Cultura e que ele gostava de ler. Romances policiais. Então, eu logo ofereci um pra ele. Envergonhada pela minha pressa, fingi esquecer. Até que anteontem, ele me lembrou. Eu desci com o Garcia-Roza, presente de G.D. Pois bem, ontem faltava ao Sr. J. apenas 10 páginas para terminar o romance. O comentário dele: Que narrativa envolvente.

Pois bem, se o ser-para-a-morte era algo que emprestei ao outro para traduzir sua angústia diante da morte, o Sr.J. disse sim narrativa e não estória. Ele tem a voracidade e o conceito. E, talvez, o mais importante, a gentileza que marca uma boa conversa.

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