em fevereiro de 1999, eu estava começando uma análise e tentando ler Ulysses, um fragmento sobre segredos ficou para sempre na memória e recentemente retornou com força. Ana Cristina César fez com ele um poema, que li ou reli ontem, na Livraria Cultura, enquanto esperava. Ele serve como uma luva, dessas tão bem ajustadas que precisamos de algum esforço de uma mão para tirá-la da outra. Para, depois, colocar de novo. Então, que ela se cole na pele, como uma cicatriz que é bem-vinda.
Ulysses
E ele e os outros me vêem.
Quem escolheu este rosto para mim?
Empate outra vez. Ele teme o pontiagudo
estilete da minha arte tanto quanto
eu temo o dele.
Segredos cansados de sua tirania
tiranos que desejam ser destronados
Segredos, silenciosos, de pedra,
sentados nos palácios escuros
de nossos dois corações:
segredos cansados de sua tirania:
tiranos que desejam ser destronados.
o mesmo quarto e a mesma hora
toca um tango
uma formiga na pele
da barriga,
rápida e ruiva,
Uma sentinela: ilha de terrível sede.
Conchas humanas
Ana Cristina César